Fonte: Jornal do CREMESP, 03/2008
EDITORIAL
Escolas médicas: é preciso suspender, temporariamente, a abertura de novas e estruturar as já existentes
Não interessa à sociedade a criação de cursos de Medicina sem o real e permanente aporte dos recursos humanos e materiais indispensáveis à boa formação.
É uma questão ética a moratória na abertura de novas escolas de Medicina e a exigência de qualificação para as já existentes continuarem funcionando.
Nos últimos quinze anos, o Brasil foi invadido por uma onda de credenciamento de novas escolas, atingindo a posição de segundo país do mundo em número de faculdades de Medicina.
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O Cremesp e as demais entidades médicas – há tempos preocupados com a manifesta deficiência do ensino no Estado de São Paulo e com suas conseqüências para a sociedade – defendem a moratória na abertura de novas escolas, ou seja, a não abertura de cursos até a total adequação dos já existentes.
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Uma das atribuições do Conselho é justamente “promover, por todos os meios ao seu alcance, o perfeito desempenho técnico e moral da Medicina”.
Por isso, insistimos em afirmar que o Estado de São Paulo não precisa de novas escolas de Medicina, precisa aprimorar, e muito, as já existentes. Da mesma forma, não precisa de mais médicos, precisa melhorar o conhecimento e as habilidades dos atuais.
A análise dos resultados das provas experimentais aplicadas nos formandos, realizadas nos últimos três anos pelo Cremesp, dá conta da gravidade do problema da formação dos médicos nas escolas do Estado de São Paulo.
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A afirmação de que os formandos destas faculdades sem condições de ensino irão atender às populações periféricas e menos favorecidas carrega uma mentira e duas injustiças: não é verdade que estes formandos se estabelecem em regiões carentes de médicos; é contrário ao princípio da eqüidade destinar profissionais sem habilidades para pacientes mais carentes e é injusto restringir a atuação de um profissional à camada mais necessitada da população.
O projeto de lei que estabelece a moratória na criação de novas escolas de Medicina, de iniciativa do médico, deputado e presidente da Câmara Federal, Arlindo Chinaglia, em sua forma original, atende plenamente aos interesses maiores da sociedade brasileira e traz benefícios para a assistência à saúde da população e para a classe médica. Após anos de tramitação, o projeto de Lei 65/03 será votado pelo plenário da Câmara dos Deputados.